Superando o Medo: aprenda a tomar decisões inteligentes 1

Você quer aprender a tomar decisões inteligentes em sua carreira e evitar escolhas (na maioria das vezes óbvias) de que você possa vir a se arrepender no futuro?

Primeiro vou contar a história (verídica) que me motivou a escrever este post para em seguida mostrar como se foge dessa cilada.

Uma mulher estava sentindo dor de dente e foi ao dentista para tratar o problema. Lá no consultório foi informada que seu caso era de canal e que naquele momento nada havia a ser feito. O dentista lhe prescreveu um analgésico e a mandou para casa, com a orientação que deveria procurar um endodontista.
Ela saiu da consulta e foi direto na farmácia comprar o analgésico.
No dia seguinte, como a dor tivesse desaparecido, ela decidiu adiar a ida ao endodontista.
Passados doze meses – sim, exatamente, um ano depois – a mulher volta a procurar o dentista para avaliar se o canal é necessário ou não.

Superando o Medo

Esse relato me foi passado pela secretária do dentista que agendou a segunda consulta (a do ano seguinte). Não sei dizer ao certo o que aconteceu com essa mulher. Na melhor das hipóteses, terá que fazer o tão evitado canal. Ou talvez nem o canal resolva mais um ano depois e tenha que extrair o dente. Não sei o final da história.

* * *

Contei essa história por ser óbvio tanto o desfecho quanto principalmente a decisão que levou a esse final. Conheço outra de um homem que evitou por anos medir a pressão arterial para não saber que estava com pressão alta, como se o fato de não saber o protegesse da doença.

Sempre que fico sabendo de histórias como essas, meu queixo cai de perplexidade.

Não só em assuntos ligados à saúde fazemos escolhas que nos trarão resultados que não queremos (evito aqui intencionalmente adjetivar as tomadas de decisão como certas ou erradas pois não se trata de moralidade), também na carreira e nos relacionamentos agimos de maneira irracional ou impensada.

Uma decisão é irracional quando as consequências dessa escolha são previsíveis e indesejáveis e ainda assim a escolha é feita. Já decisão impensada é aquela em que não houve um processo reflexivo anterior, faz-se a ação e depois vê-se a m. que vai dar.

Como é possível que as pessoas não se deem conta das consequências de suas decisões?

Essa pergunta fica pairando em minha mente enquanto observo chocado repetidas e repetidas vezes escolhas ruins (aquelas que trazem resultados ruins) serem tomadas.

São três os fatores que nos impedem de tomar escolhas inteligentes: desconhecimento (inexperiência), impulsividade ou medo.

Neste post refletirei sobre os efeitos nefastos do medo nos processos decisórios e maneiras de superá-lo.

Superando o Medo

Antes de mais nada, cabe destacar que o problema não é sentir medo. O medo tem uma função fundamental de sobrevivência para os animais (resposta de luta ou fuga). O problema é que, ao contrário de outras espécies, no caso do bicho humano, sentimos medo mesmo em situações em que a vida não está ameaçada (medo de fracassar ou de ser rejeitado, por exemplo) e esse sentimento nubla o discernimento e entorpece o raciocínio, além de trazer problemas para a saúde quando a pessoa é submetida a fatores estressantes continuados ao longo do tempo.

Ninguém gosta de sofrer e o medo do sofrimento futuro faz com que a pessoa contraditoriamente antecipe (e muitas vezes intensifique) o sofrimento.

Superando o MedoOutra consequência que o medo pode causar é a paralisia, quando deixamos de agir exatamente nos momentos e nas situações em que uma ação (racional e adequada) se faz mais necessária.

Existem algumas maneiras de se superar essa barreira do medo. Uma, de fácil execução, é a confrontação.

A confrontação consiste em, como diz o termo, confrontar o medo através de um diálogo interno em que ambas as vozes defendam seus pontos de vista. O medo é realista? O que de pior pode acontecer? Há formas de se gerenciar os riscos para se minimizar as possibilidades de perdas? O que eu ganho e perco agindo ou deixando de agir?

Atentem que confrontar o medo não quer dizer realizar a ação ameaçadora pois, como já mencionado anteriormente, o medo tem seu fundamento. Se, por exemplo, eu tenho medo de altura, saltar de paraquedas (sem o devido treinamento) pode ser uma experiência fatal.

Para algumas pessoas o medo pode tomar proporções tão intensas que um acompanhamento psiquiátrico ou psicoterápico seja necessário – pois caso contrário pode ocasionar crises depressivas e/ou de pânico.

Mas não precisamos ser tão dramáticos.

Encerro com outro exemplo agora mais corriqueiro e ligado à carreira: se um executivo tem um filho pequeno e família é um valor prioritário em sua vida, escolher trabalhar 12 ou 14 horas por dia, inclusive nos finais de semana é uma escolha que com certeza vai trazer arrependimento futuro. Talvez ele sinta medo de buscar uma recolocação, talvez ele argumente que não tinha outra alternativa (justificativa ampla e frequentemente utilizada), mas essa é uma desculpa para aplacar o sentimento de culpa.

Superando o MedoNós sempre temos escolhas, caso contrário estaríamos afirmando a existência do destino, que contraria o livre arbítrio. Não temos poder sobre o que fazem conosco, mas SEMPRE temos poder sobre o que fazemos com o que fazem conosco. Podem não ser escolhas fáceis, podem não ser escolhas de implementação imediata, mas todos nós, cada um de nós, sempre pode escolher a cada instante o que fazer, escolher entre dizer sim ou não.

Exercitar a auto responsabilidade é uma poderosa maneira de se fazer uma escolha inteligente.

No próximo post eu analiso os efeitos da inexperiência no processo decisório.