Reclamar é bom

 

Você reclama de todas as injustiças que ocorrem contra você?

Você é ativamente engajado em reclamar diante do menor problema? Isso mostra que você não está passivo e acomodado diante das injustiças do mundo, não é?
Reclamar é afinal expressão de proatividade e engajamento, a contribuição que você dá para a construção de um mundo melhor, certo?

ERRADO!!!

Um bebê chora reclamando da fome que está sentindo. Uma criança chora reclamando quando não tem suas vontades atendidas. Adultos infantilizados param de chorar e só reclamam.

reclamar

Ao contrário do que muitos pensam, reclamar é sinal de infantilidade e passividade pois se critica o fato sem se fazer nada DE EFETIVO para modificá-lo.*

Iludem-se que a reclamação em si seja o ato que vai resolver a questão, mas é aí que mora o problema.

A reclamação geralmente tem uma dessas duas características: ou é endereçada à pessoa errada ou é expressa de maneira inadequada.

Vejamos um exemplo: se alguém procura uma repartição pública e é mal atendido ou o serviço não é prestado a contento, ela se sente injustiçada por esse tipo de coisa. Afinal, paga seus tributos e gostaria de receber eficiência e cordialidade em retorno – no que está totalmente justificada. Só que, se essa pessoa injustiçada reagir (reclamar) de uma forma inadequada e começar a agredir verbalmente – e em alguns casos até fisicamente – os funcionários públicos, perdeu a razão. Ou ela vai para casa frustrada se consolar (reclamar) para um familiar ou amigo que concordará que o serviço público no país é ineficiente, que os funcionários públicos são isso e aquilo (muito cuidado com as generalizações), etc, buscando consolo para o problema não resolvido – e o que é pior, mantendo a situação de ineficiência daquela repartição pública.

Sabe por que tantas pessoas gostam de reclamar e passam a vida inteira reclamando de tudo e de todos? Porque reclamar justifica seus fracassos e porque elas ficam desobrigadas de fazer algo afinal algum (outro) incompetente foi o responsável por isso. Ela nunca! Outra pessoa… A parte que lhe cabia, que estava ao seu alcance fazer, era reclamar.

Reclamar é bom porque justifica e anestesia a dor da frustração e é exatamente esse o problema, a pessoa se paralisa e se acomoda diante do desafio.

A presidente da república, os políticos, o funcionalismo público, os corruptos, o patrão, os capitalistas, os comunistas, os pais, os irmãos, o marido ou a esposa, os filhos, o cachorro ou o gato, as fatalidades da vida, Deus…. Qualquer um – menos ele ou ela – é responsável pelas desgraças que estão ocorrendo com ele ou com ela.

A reclamação possui mais um benefício: eu me relaciono, me associo, me valido com aquele terceiro (parente ou amigo) para quem compartilhei (reclamei) minha insatisfação e na concordância dessa pessoa encontro justificação para minha situação infeliz e principalmente conexão. Estou infeliz, mas não estou só.

Outra consequência da reclamação é o surgimento de ódio aparentemente justificado pelo erro dos outros, sendo em realidade fruto da minha frustração vivida.

Esquecem – ou não querem se lembrar – que não somos responsáveis pelo que é feito conosco, mas somos 100% responsáveis pelo que nós fazemos com o que fizeram conosco.
• Se alguns políticos são corruptos, o que eu vou fazer? Como vou lidar com isso?
• Se o meu chefe foi desleal comigo, o que eu vou fazer? Como vou lidar com isso?
• Se Deus foi injusto comigo, o que eu vou fazer? Como vou lidar com isso?

Torne-se 100% responsável pela sua vida. Torne-se 100% responsável pelas escolhas que você faz e pela direção que você dá a sua vida. Torne-se 100% responsável pelo que você decide fazer com o que a vida faz com você.

Comece declarando: eu sou 100% responsável pela minha vida. E de agora em diante viva de acordo com essa declaração.

É um caminho solitário, dá medo, exige que você se responsabilize pelas decisões que toma… Não há garantias de sucesso… Não é fácil… Mas com certeza significará que você está entrando para o mundo dos adultos.

No exemplo que eu mencionei da repartição pública (ou em uma empresa concessionária de serviço público ou no teu trabalho), o que você faria?

*Não estou defendendo a passividade e a aceitação silenciosas, pelo contrário. Se você tem alguma insatisfação, fale clara, civilizada e diretamente com o responsável pelo assunto. Simples assim!

O que der para ser mudado, mude. O que não der para ser mudado, aceite. E que você tenha sabedoria e discernimento para distinguir uma situação da outra. 🙂

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